Está aqui

Baloji: uma viagem artística sem fronteiras

No dia 13 de março, o MAAT (Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia) recebeu o artista congolês-belga Baloji para o encerramento da exposição Black Ancient Futures, onde foi projectada a sua primeira longa-metragem, Omen.

Baloji, de Starflam a Lisboa

O rapper, cantor, compositor, poeta e realizador congolês-belga Baloji nasceu a 12 de setembro de 1979 em Lumbashi, no Zaire (atual República Democrática do Congo). Deixou o país na infância com o seu pai e instalou-se primeiro em Ostende e depois em Liège.

A sua carreira artística começou na década de 1990 com Starflam, um grupo de hip hop de Liège. Em 2008, lançou o seu primeiro álbum a solo, Hotel Impala, em resposta a uma carta que recebeu da sua mãe após 25 anos de ausência. Ganhou concursos de poesia, escreveu as suas próprias canções e realizou os seus próprios videoclipes. A sua primeira curta-metragem de ficção, “KANIAMA SHOW”, foi lançada em 25 de fevereiro de 2018.

A sua primeira longa-metragem de ficção Omen (Presságio) foi selecionada em estreia mundial e ganhou um prémio no Festival de Cannes de 2023 na secção “Un certain regard”. O filme conta a história de Koffi, um jovem congolês que foi deserdado pela mãe na sua juventude por ser um suposto “zabolo”, um feiticeiro maléfico em suaíli. Agora, regressa ao Congo para visitar a sua família, acompanhado pela sua mulher europeia grávida. A visita não é cordial, pois os antigos rituais e as persistentes superstições das tribos locais continuam a assombrar Koffi. O sucesso esperado concretizou-se, tendo recebido 13 nomeações para os Africa Movie Academy Awards.

Artista versátil, Baloji encarna uma fusão de tradição e modernidade, utilizando a sua arte para questionar identidades e realidades sociais, enquanto honra a sua herança congolesa.

Black ancient futures: arte negra sem fronteiras

De 18 de setembro a 17 de março, o MAAT (Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia), em Lisboa, acolheu uma exposição inovadora intitulada Black Ancient Futures, com 11 artistas da diáspora africana, alguns dos quais apresentados pela primeira vez em Portugal. Estes artistas utilizam diferentes linguagens para propor uma variedade de narrativas e paisagens alternativas que desafiam o panorama dominante da arte contemporânea. As obras expostas resultam da fusão de elementos culturais africanos com outras culturas e espaços geográficos, revelando a energia original do destino itinerante da condição africana, marcado pelo exílio, pela fixação forçada durante a escravatura ou pela migração voluntária ou forçada devido às atuais crises económicas, políticas e climáticas. A exposição ofereceu uma visão dinâmica e livre da arte negra.

Entre os 11 artistas, Baloji, um artista congolês-belga multifacetado, exibiu três obras de videoarte: Altar, Peu de chagrin e Bleu de Nuit.

Black Ancient Futures” encerra em grande estilo

A noite de 13 de março encerrou com chave de ouro a exposição Black Ancient Futures, celebrando o mundo francófono. O evento, organizado em colaboração com a Embaixada da Bélgica em Portugal e a Wallonie-Bruxelles em Portugal, reuniu um público diversificado em torno de Baloji. A projeção da sua primeira longa-metragem, Omen, cativou o público, seguida de uma enriquecedora sessão de perguntas e respostas durante a qual Baloji partilhou a sua visão artística. O DJ set do DIDI, inspirado no universo artístico de Baloji, levou o público numa atmosfera festiva para encerrar a noite. O evento não só mostrou o talento versátil de Baloji, como também reforçou as ligações entre arte, identidade e património cultural, proporcionando uma conclusão memorável para uma exposição que redefiniu as fronteiras da arte contemporânea.